Sobre esquecer…

luz

Eu já sabia faz um tempo, muito tempo na verdade, já que eu não tenho 15 anos, que eu descobrir que tenho uma grande dificuldade de esquecer pessoas, não guardo rancor, muito pelo contrário, nem lembro das coisas que me fizeram seguir em frente, não há magoas, raiva, ou qualquer sentimento que me faça lamentar e a falta desse sentimentos me faz sempre olhar para o passado e encontrar os meninos, rapazes e homens maravilhosos que passaram em minha vida.

Sou sim, daquelas que ouvi uma música, como essa do Caetano que estou ouvindo agora, e lembro com saudade de um tempo, dos sorrisos, do abraço e das certezas, e olha que hoje em dia nada é certo.

Lembro com saudade bonita, que é aquela saudade que não machuca, de ver um certo rapaz correr na chuva para me encontrar, ou das tardes sentados em baixo do planetário do Dragão do Mar, ou de ler compartilhando pequenos trechos, sorrisos e interpretações. Lembro do olhar, aquele olhar que sorrir quando encontra o seu, lembro do toque dos dedos, da cumplicidade de um sorriso de canto. Lembro do amor, simples sem complicações.

Lembro quando em um acampamento de férias eu cair e fiquei com um inicio de parada respiratória e mesmo buscando meu ar, eu ouvia um rapaz lá longe gritando meu nome, pois soube que eu não estava bem, lembro do cuidado, lembro do ciumes, dá dor e do medo de perder. Lembro de um rapaz que dedilhava músicas no violão, me ensinou a amar Vander Lee, pois ele que me encantou cantando, que me ofereceu o amou do jeito que ele sabia amar, e eu retribuir do jeito que eu sabia. Lembro de um menino, que me amava baixinho, e quando lembro dele, lembro da poesia de Pedro Lyra, que falava “Te amo menino, de um modo total e absoluto como todos desejam ser amados e como nunca jamais ninguém amou”. E eu amei e fui amada, lembro de como foi maravilhoso namorar meu melhor amigo e o preço foi ter que perder sua amizade. Mas valeu.

Lembro do impossível, improvável, lembro quando o cuidado me envolveu e me cegou, lembro de todas as vezes que o amor, virou dor e se transfonou em superação e depois voltou a ser amor, mais solido, sem rompantes, sem presença, só lembranças do que foi bom, depois que termina, fica em minha lembrança os motivos que me fizeram ficar por tanto tempo ao lado de uma pessoa.

Me pego pensando em quais são as saudades, as histórias, dessas pessoas que marcaram a minha trajetória com sua presença e apesar de conhecer, quais são seus desejos, medos, alergias, data de aniversário, nome de filhos, os vários tipos de sorrisos, apesar de conhecer tão intimamente, se um dia alguns deles passarem ao meu lado irei mudar a direção da visão, nossa história foi tão linda que deixou marca e precisa ser maduro para respeitar o passado do outro, entender que a vida solicitou escolhas e que temos, graças a Deus, a capacidade de amar várias vezes.

Eu os chamo de meus hoje desconhecidos íntimos, mas um dia já olhei para eles e vi o amor e é por isso que me recuso a esquecer…

Eu escolhi lembrar.

cat6

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