Para você, que nunca foi….

Comecei a namorar com 15 anos, com um menino, que eu admirava e pensava em como era bom ter alguém como ele ao meu lado. O namoro terminou 1 ano e meio depois… com boas histórias e sonhos interrompidos. Esse mesmo rapaz, hoje é um homem casado, casou quase na mesma época que eu, só que eu separei e como nunca perdemos contato de fato, pouco tempo depois que eu havia me separado entrei em contato com ele… nunca nos encontramos, como eu disse ele é casado. Mas tivemos algumas conversas que eu não me orgulho. E eu sei, em meu coração que nunca vai acontecer nada entre eu e ele, nada, mas escrevi dois textos que não serão enviados, mas gostaria de compartilhar aqui.

cartas

Texto I

Para você que nunca se foi,

Oi, moço. Como anda teu sorriso largo nessa boca de coração? Teu hálito quente como teu abraço, tua voz que conforta, assim como o teu corpo… Como vai você, que nunca se foi, mas que nunca mais chegou, alegou minha alma, meu dia, meus sonhos com seus encantos.

Nunca mais vi, meu eu masculino, minha alegria misturada com a tua virava um som gostoso e alegre, de gargalhadas. Eu e você. Meu nome e o teu, nossos sonhos. Separados, mas nunca divididos. Você que chegou e nunca se foi, o tempo que não é nosso amigo, não o tempo não é nosso amigo nunca foi, a vida gerou nossos desencontro, eu você, mesma cidade, vez e outra estávamos em cidades diferentes, mas nunca, jamais, em momento algum estivemos completamente fora um do outro, você sempre aqui, eu sempre ali, mas nunca fisicamente juntos.

Casamos. Acabaram-se as possibilidades. Acabaram-se os nossos sonhos. Tudo acabou.

Distancia silêncio, desencontro, solidão. Um a solidão a dois, com pares que nos são ímpares, com um completo incompleto. E, mesmo que o amor, que sempre nos manteve “por aqui” sempre perto, nunca longe. Esse amor que temos em nossa vida, nossas escolhas e a infinidade de possibilidade que surgem a nossa frente na busca constante e incansável pela felicidade, no preço justo e certo, esse inconformismo com a infelicidade, nos faz voltar dois passos e reconstruir.

Para reconstruir se faz necessário destruir o que foi construído até então, e destruir dói, ver sobre o chão os sonhos que um dia sonhamos nos arrancam lágrimas que nem sabíamos que tínhamos e choramos por sentimentos que sabemos que não nos vão fazer falta, mas a sobra da falta ainda pode ferir.

Divorciados, sim. A vida é a oportunidade do hoje, e o hoje clamava por felicidade, por liberdade, por libido, por sonhos divididos, por um mundo gigante que consumimos ou somos consumidos por ele. E decidimos seguir, nossos próprios passos, nossa própria mente.

Juntos? Novamente? Será? Não sei. O muito que há em mim, ainda te falta, coragem para seguir. Depois de 18 anos, posso dizer que nosso amor é maduro? Não posso afirmar, mas posso falar por mim, e eu amo você, nada de abrasador, o que eu sinto é constante e firme e posso passar toda a vida sabendo que tudo o que podíamos ser, fomos, amigos de uma vida inteira ou podemos proporcionar além da amizade um amor mútuo que nos preencha os próximos anos das nossas vidas. Somos nós os únicos capazes de moldar esse amor ou de deixá-lo de uma vez por todas. Parece besteira, mas a verdade é que nem todo mundo tem coragem de ser feliz.

Sua amiga, que nunca se foi.

Texto II

Para você que tem fome, 

18 anos, e ainda não tivemos nossas descobertas mais profundas, 18 anos e quando olho para o passado posso sorrir por saber que fomos e somos tanto um para o outro ou pelo menos é nisso que eu gosto de pensar.

Outras vezes eu penso que essa nostalgia e consideração só partem de mim. Que você, na verdade pensa em mim como um pedaço de carne que não consumiu não posso me abster da culpa de ter te instigado a pensar assim. E de por tempos sem fim, ter pensando em ti como um pedaço de carne que eu nunca provei. Carnívoros, até nisso combinamos.

Mas éramos solteiros, livres, sem amarras e sem a possibilidade de partir corações, a não ser os nossos e esse risco eu e você sempre podemos correr, pois temos no sangue a vontade de viver. Porém, hoje, você não pode, nem deveria pensar na possibilidade de me pedir para ser a outra, a amante, a que te esconde enquanto te dá prazer. Não, posso aceitar e me machuca pensar que você pode considerar em me colocar nesse lugar da sua vida.

Olho para o que fomos e para o que poderíamos ser e vejo que na verdade você continua o mesmo que ama profundamente a si mesmo. Que pena, ainda considero a possibilidade de está errada.

Poderia fazer tudo o que você me pede e muito mais, eu sei que eu poderia e você sabe também. Mas, hoje para você, serei amiga, paciente, que vai te ouvir, brigar e brincar. Que vai te amar de longe,mas que sempre vai te amar.

Sua amiga, constante e fiel.

Mandei para ele o segundo texto. Ainda não sei quais serão as reações. Seguindo em frente.