cartas

Oi, Zé.

Saudade de você, saudade de te ter em minha vida, você tá vivo, respirando e realizando coisas. Mas parece que você nunca fez parte da minha vida. As vezes eu acho que só casei pois pela primeira vez eu não queria que alguém realizasse algo primeiro que eu, e olha como a vida é curiosa, das pessoas da minha história fui a primeira a separa. Se você ainda fosse meu amigo, você não diria nada e estaria por perto quando tudo desse errado e com você eu sempre pude chorar. Sinto falta de me descabelar, de soluçar, tenho saudade do jeito que você acalmava a minha alma, a forma como você respirava ou quando você estava de saco cheio e me fazia parar e tirava meu foco.

Sinto falta de ser fraca, de ser livre, sinto falta de ser nada e ter tudo, da qualidade, sinto tanta saudade de você que doí, sinto saudade da minha montanha, do meu melhor amigo, da minha rocha, para onde eu corria e sabia que encontraria abrigo e proteção.

Eu sempre soube o que perdia quando me perdi de você, sempre soube. Sempre soube que era um caminho sem retorno, que tua vida iria me marcar por toda uma vida. Sinto saudade de você. Não sei como poderia contribuir para a tua vida, sei que a falta não é reciproca, sei disso e isso também doí. Eu não encontrei outra pessoa para ocupar o lugar que você ocupava, era grande demais. Como uma pessoa tão magra ocupou um espaço tão significativo em minha vida.

Sinto tua falta, da tua vida, das tuas dúvidas, das nossas viagens, deu teu sorriso lardo e do teu abraço que mais parecia meu lar. Sinto saudade de ti Zé.

Saudade do meu amigo, meu amigo mais querido.

Fica bem, feliz e seguro. Sei que temos a eternidade pela frente e que além de meu amigo mais amado, você é um irmão querido e isso na maioria das vezes basta.

Para minha montanha, meu melhor amigo, meu irmão.