Você é feliz?

CadeadosSou uma pessoa feliz! Há muitos anos me importo com a veracidade dessa afirmação. Gosto de ser feliz, gosto de me sentir amada, acolhida, ouvida e respeitada. Quem não gosta! Mas sei que nem sempre isso é possível. Mesmo sendo uma mulher forte, também sou frágil e já perdi muita coisa, e algumas pessoas que eu tinha ou tive grande admiração.

Chorei, gritei com Deus, por não compreender, chorei novamente. Sorrir querendo chorar, disse que estava tudo bem, quando o mundo pesava por sobre mim, acredito que muita gente faz esse tipo de coisa, mas não posso falar por todo mundo, só posso falar por mim.

Eu já fui triste, muito triste, porém pior que minha tristeza, era que não conseguia reconhece-la, não conseguia assumir que eu estava longe da felicidade que eu sempre desejei para mim. E tentei consertar o que já não havia conserto, me prendendo há momentos que não existiam mais e nem iriam se repetir. Me tornei prisioneira. Eu que sempre andei em liberdade.

Hoje eu sou feliz, mas romper com um padrão nunca é fácil e não foi fácil para mim. E só quando me vi segura é que eu percebi a quantidade de tempo e lágrimas que eu gastei, e a quantidade de vida, sorrisos e boas lembranças eu havia deixado passar, algumas delas que eu nunca irei me perdoar.

Hoje, tive um dia feliz, um dia entre muitos dias que são felizes. Hoje moro em um lugar que parece comigo, hoje, posso passar todo o tempo do mundo com meus amigos e com a minha família, hoje eu sou livre, mas só me tornei livre quando deixei de ser minha própria carcereira, mesmo que as ordens fossem de outra pessoa, era eu quem decidia se iria obedecer ou não.

Hoje eu sou feliz, e Deus permita que em nenhum momento da minha vida eu perca minha felicidade, pois quando somos verdadeiramente amados, nossa infelicidade é contagiante e a nossa felicidade ainda mais.

Obrigada família e amigos por não desistirem de me ver sorrindo, por lutarem silenciosamente por mim. Eu agradeço, profundamente.

 

Em+Frente

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Sou filha de pais separados e neta de avós separados, fui criada ouvindo que o meu marido se chama trabalho e que não existe nada melhor do que ser independente.  Cresci tendo medo de boneca e amando correr e brincar na rua. Brincar de casinha nunca foi o meu forte.

Dei meu primeiro beijo com um menino que pensava que me enganava com a minha melhor amiga, mas na verdade eu e ela estávamos aprendendo a beijar e ele estava ali, disponível, na época eu tinha 13 anos e meu primeiro beijo foi no dia dos namorados, mas não houve nada de romantismo, foi na verdade bem didático e bom. Depois que conseguimos o que queríamos eu e minha amiga terminamos com ele simultaneamente, acho que ele não gostou muito, ninguém gosta de ser enganado.

Me apaixonei, várias vezes, dei outros beijos, mais interessantes. Aqueles beijos que fazem nosso coração saltar de ansiedade e felicidade. Até que conheci meu primeiro namorado, eu tinha 15 anos, e já havia beijado algumas pessoas. E agora escrevendo isso percebi que não lembro do meu primeiro beijo com ele, mandei um zap para ele perguntando e ele lembra e já fazem 18 anos, o primeiro amor é sempre marcante. Eu lembro com  nitidez do último, mesmo que na época eu não esperasse que fosse o último, mas foi e eu vi meu coração partido, pela primeira vez sentir aquela dor complicada de descrever, a dor de não ter.

Seguir em frente e 15 dias depois ele me pedia para voltar, aos 16 anos eu era uma criatura mais orgulhosa. Depois dele tive outros bons namorados, e com todos os outros eu terminei, até eu namorar um rapaz mais jovem e para ele dá meu coração, ele era meu melhor amigo, e hoje depois do fim, lamento só não poder tê-lo em minha vida.

Sempre me considerei muito seca sentimentalmente, meio homem quando se trata de ficar e não me envolver, ainda hoje consigo ficar com uma pessoa, sem que meus sentimentos sejam envolvidos, consigo seguir sem olhar para traz. Consigo lamentar sem dramatizar, seguir em frente, pois na vida temos que enfrentar o que vem e não lamentar o que passou. Em frente e enfrente.

Sobre esquecer…

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Eu já sabia faz um tempo, muito tempo na verdade, já que eu não tenho 15 anos, que eu descobrir que tenho uma grande dificuldade de esquecer pessoas, não guardo rancor, muito pelo contrário, nem lembro das coisas que me fizeram seguir em frente, não há magoas, raiva, ou qualquer sentimento que me faça lamentar e a falta desse sentimentos me faz sempre olhar para o passado e encontrar os meninos, rapazes e homens maravilhosos que passaram em minha vida.

Sou sim, daquelas que ouvi uma música, como essa do Caetano que estou ouvindo agora, e lembro com saudade de um tempo, dos sorrisos, do abraço e das certezas, e olha que hoje em dia nada é certo.

Lembro com saudade bonita, que é aquela saudade que não machuca, de ver um certo rapaz correr na chuva para me encontrar, ou das tardes sentados em baixo do planetário do Dragão do Mar, ou de ler compartilhando pequenos trechos, sorrisos e interpretações. Lembro do olhar, aquele olhar que sorrir quando encontra o seu, lembro do toque dos dedos, da cumplicidade de um sorriso de canto. Lembro do amor, simples sem complicações.

Lembro quando em um acampamento de férias eu cair e fiquei com um inicio de parada respiratória e mesmo buscando meu ar, eu ouvia um rapaz lá longe gritando meu nome, pois soube que eu não estava bem, lembro do cuidado, lembro do ciumes, dá dor e do medo de perder. Lembro de um rapaz que dedilhava músicas no violão, me ensinou a amar Vander Lee, pois ele que me encantou cantando, que me ofereceu o amou do jeito que ele sabia amar, e eu retribuir do jeito que eu sabia. Lembro de um menino, que me amava baixinho, e quando lembro dele, lembro da poesia de Pedro Lyra, que falava “Te amo menino, de um modo total e absoluto como todos desejam ser amados e como nunca jamais ninguém amou”. E eu amei e fui amada, lembro de como foi maravilhoso namorar meu melhor amigo e o preço foi ter que perder sua amizade. Mas valeu.

Lembro do impossível, improvável, lembro quando o cuidado me envolveu e me cegou, lembro de todas as vezes que o amor, virou dor e se transfonou em superação e depois voltou a ser amor, mais solido, sem rompantes, sem presença, só lembranças do que foi bom, depois que termina, fica em minha lembrança os motivos que me fizeram ficar por tanto tempo ao lado de uma pessoa.

Me pego pensando em quais são as saudades, as histórias, dessas pessoas que marcaram a minha trajetória com sua presença e apesar de conhecer, quais são seus desejos, medos, alergias, data de aniversário, nome de filhos, os vários tipos de sorrisos, apesar de conhecer tão intimamente, se um dia alguns deles passarem ao meu lado irei mudar a direção da visão, nossa história foi tão linda que deixou marca e precisa ser maduro para respeitar o passado do outro, entender que a vida solicitou escolhas e que temos, graças a Deus, a capacidade de amar várias vezes.

Eu os chamo de meus hoje desconhecidos íntimos, mas um dia já olhei para eles e vi o amor e é por isso que me recuso a esquecer…

Eu escolhi lembrar.

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Mudando

O que fazer quando não se sabe o que fazer?

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Tenho 32 anos de idade, quase 33 anos, moro sozinha, estou preste a me divorciar, trabalho em uma empresa que utiliza menos de 10% das minhas habilidades e consequentemente eu recebo menos que as minhas habilidades pedem.

Sempre fui uma sonhadora, sempre amei fazer trabalho para ajudar pessoas, mas sempre fiz disso um hobby e nunca como um meio de vida e enquanto todos a minha volta construíam carreiras profissionais eu continuava focando minha vida em ações importantes, mas que só enriqueciam minha alma e não meu bolso.

Amo cada uma das minhas muitas lembranças: sertão da Paraíba, Sertão do Ceará, visitando comunidades ribeirinhas no alto rio Amazonas. Todas essas ações enriqueceram a minha vida e minha alma de sentimentos únicos e me tornaram uma pessoa com uma noção de necessidade e sofrimento bem apurado, pelo o que eu vi e conheci em minha caminhada.

Existem vários outros lugares que minha alma inquieta deseja conhecer, existem locais que eu desejo voltar, pessoas que sonho um dia rever, mas hoje, essa época da minha vida, eu preciso seguir um novo rumo. Falo que é o meu momento capitalista, meu momento de olhar para a minha pessoa e as oportunidades que estão em minha volta.

Mas isso não quer dizer que seja fácil, simples e leve. Muito pelo contrário. Olho para os lados e penso que poderia fazer mais, porém isso demanda tempo e meu tempo agora precisa ser pensando e muito bem aproveitado. E isso é bom. Quero melhorar como pessoa, ser menos acomodada, pensar no que eu posso ser se gastar tempo e energia nisso.

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Preciso me organizar financeiramente. Preciso conhecer a Europa.  Preciso conhecer Alguns países da America do Sul.  Preciso comprar roupas e sapatos. Preciso ser mais do que eu sempre fui. Um pouco mais ambiciosa, um pouco mais egoísta, um pouco mais capitalista, para que eu possa ser um pouco mais do que sou hoje. Dá pra entender?

Mas e apesar de tudo, não posso ser menos. Só tenho que encontrar o equilíbrio entre o que eu sou e o que eu posso ser e focar no alvo.

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Uma virgula, assistir um filme chamado: “O Vendedor de Sonhos” que ele começa vendendo uma “,” e como a vida muda se começarmos a pensar nas possibilidades que podemos ter quando colocamos uma virgula ao invés de pontos.

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Eu coloquei um ponto em uma história que eu pensei que demoraria a ter um final, mas nunca pensei que seria para sempre, mas coloquei um ponto muito antes, havia acabado a minha criatividade de enganar a mim mesmo.
Hoje eu tenho uma virgula, olho para o passado que tão recente e penso em como a minha vida mudou. Ainda sinto saudades, mas cada dia um pouco menos, as minhas péssimas lembranças estão sempre aqui, me lembrando o motivo do meu ponto. Estou feliz, com meu ponto e muito feliz com as várias virgulas que eu vejo no meu futuro.

Vamos as atualizações, minha internet chegou, finalmente!!!! Muito bom ter o mundo de volta. Fiz as minhas compras, recebi pessoas em casa, visitei amigos, visitei igrejas, visitei restaurantes, respirei, sorrir, vivi e como faltava vida em minha vida. Não tenho nem como explicar. Mas é isso. Tenho me sentido viva.

cadeado

Deus sabe que ainda existe uma confusão dentro de mim, meus sentimentos não estão nada definidos, durmo a noite e sinto saudade, mas na maioria das vezes eu sinto uma profunda preocupação com o futuro que o marido está tomando. Tenho orado para que ele encontre uma outra pessoa, para que a vida fique mais simples, pois sei que a vida será mais simples se ele estiver com alguém ao seu lado. Eu, bom eu não sei se vou voltar a me arriscar de novo, abrir meu coração de novo. Não sei. As vezes eu penso que eu perdi a capacidade de sentir, me parece que finalmente o que todos falavam se tornou real, meu coração finalmente ficou peludo.

Vivendo Now

tudo-de-pernas-pro-arBoa noite
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Aqui são 22:21 da noite, de uma sexta comum. Era esperado que eu estivesse deitada com o meu marido em nossa cama, em nossa casa, mas nada disso é importante, não para ele e podemos incluir no nada é importante, euzinha, a esposa.

Sempre escrevi em um blog, mas depois que eu casei pensei que não teria tempo para isso, precisaria focar no que é realmente importante. E hoje eu me pergunto: O que é realmente importante? Hoje eu digo que sou eu, eu sou importante, mas na época eu diria que seria meu casamento, fazer com que todo esse circo fosse perfeito e que não parece um circo e sim um casamento, não como nos contos de fadas, um da vida real… mas nesses últimos 7 meses minha vida deu um daqueles saltos loucos, que quem está assistido não consegue entender como aquilo foi feito e que a pessoa que o executou é um perito. Bom, eu estou bem no meio de um desses, e parece que está tudo em câmera lenta, pois parece uma eternidade e eu ainda vejo a gota do meu próprio suor cair, delicadamente, mas nunca tocar o chão.

Ops, descobrir porque, estou sem chão, tiraram meu chão tem um tempo. Tem um tempo que eu disse sim e me tiraram tudo e por um momento muito pequeno eu quase me perco de mim mesma, e essa perda faria tudo irreparável.

Minha saúde que era muito boa, despencou, estou sentindo dor todo o tempo, o tempo todo, e por isso preciso emagrecer, não que eu seja uma bela mulher gorda, meu IMC 32, sou obesa, mas estou correndo para melhorar essa taxa. Vocês vão ver. Estou com uma hernia de disco e é um dos motivos que eu estou voltando para a blogsfera, esse mundo me acalma.

Então quando o marido, me estressar, ou quando a dor na coluna for forte demais, quando os meus problemas de saúde se misturarem com os meus problemas no trabalho, quando minha paixão por cozinhar interferi na minha linda reeducação alimentar, venho aqui e compartilho com o mundo… que sim, é muito maior que os meus problemas.

Por hoje é só, vou tomar um belo banho e assistir umas series no Netflix. É o que tem para hoje.